A princípio, ter uma casa própria parece um sonho impossível para muitos brasileiros. A falta de garantias e a dificuldade de encaixar altas prestações no orçamento da família são alguns dos principais motivos que fazem com que o crédito pareça inacessível. No entanto, a aquisição de um imóvel com baixa renda pode ser uma das diversas alternativas.

Afinal, existem opções viáveis de compra que podem facilitar a realização desse sonho. Isso porque, atualmente, no Brasil, são muitas as possibilidades de financiamento de casas para qualquer tipo de orçamento familiar.

Nesse sentido, alguns projetos sociais, como o Minha Casa Minha Vida, desde o ano de 2009, já liberaram centenas de linhas de crédito e subsídios para pessoas de baixa renda, ajudando na aquisição imobiliária de centenas de famílias no Brasil.

Assim, se você aliar essas oportunidades com outras boas estratégias de planejamento financeiro — que ensinaremos aqui —, rapidamente alcançará esse objetivo.

Gostou da ideia? Então, confira as dicas que listamos abaixo e saiba como adquirir o seu imóvel da melhor forma!

Comece a economizar ainda hoje

O primeiro passo para ter seu imóvel próprio é economizar. Isso será importante para que você possa juntar um montante para dar de entrada e conseguir encaixar as prestações em seu orçamento sem grandes esforços. Para isso, veja algumas dicas práticas.

Pague as dívidas

Liste todas as suas dívidas e foque na quitação. Se tiver algum dinheiro guardado, negocie o pagamento à vista e consiga um desconto para se livrar logo delas. Os primeiros valores que devem ser pagos são os do cartão de crédito.

Os juros dos cartões, em alguns casos, são superiores a 400% ao ano. Isso significa que, se você tiver uma dívida de R$ 1.000 no cartão e não conseguir pagar o que deve, depois de 12 meses deverá mais de R$ 5.000.

Depois vêm os juros do cheque especial. São um pouco mais baixos que os do cartão, mas também estão superiores aos 300%. Por isso, esses dois credores devem ser os primeiros a serem liquidados. É importante que, nesse processo, não sejam contraídas novas dívidas.

Reduza as despesas domésticas

Liste todos os seus gastos regulares mensais e veja como você pode reduzir as suas despesas domésticas. Veja quais serviços podem ser substituídos ou de quais você e sua família podem abrir mão.

Crie estratégias para a redução das contas de água e energia, lazer, supermercado, padaria etc. A partir daí, veja quanto é possível economizar em cada uma delas. Desligando carregadores da tomada quando não estiverem em uso, por exemplo, você já faz uma economia na conta de luz.

Estude a possibilidade de trocar o plano do seu celular por um mais barato e analise nas operadoras se os planos familiares valem a pena para você. Preste bastante atenção também a pacotes de TV a cabo, que podem ser muito caros e nem sempre são utilizados.

Faça o download de um aplicativo de finanças em seu celular

Para garantir um controle maior desses gastos domésticos, é recomendável que todas as informações sejam registradas, pelo menos, em um caderno ou tabela do Excel. No entanto, o uso de um aplicativo de celular específico é, sem dúvidas, o melhor recurso para isso.

Afinal, a medida, além de ajudar na identificação das despensas de maior peso em cada mês, permite que você consiga definir quais dívidas podem, de fato, ser reduzidas sem prejudicar o cotidiano de toda a família.

No mercado digital existem diversas opções gratuitas, como Toshl FinanceGuiaBolso e Mobills, que estão disponíveis tanto na versão iOS quanto Android.

Gere uma renda extra

Se você conseguir economizar uma parte da renda que já tem atualmente, ótimo. Mas será melhor ainda se conseguir incrementar seus ganhos ao final de todos os meses. Para isso, você pode pensar em estratégias para gerar uma renda extra.

Você é muito bom em alguma matéria? Pode experimentar dar aulas de reforço para crianças do seu bairro, por exemplo. Também pode preparar lanches e doces caseiros simples e vender para os colegas de trabalho, ou fazer algum trabalho como freelancer aos fins de semana.

O céu é o limite! O importante é que essa renda complementar diminua o tempo que seria necessário para a aquisição da tão sonhada casa própria. Mas vale lembrar que essas atividades secundárias não podem comprometer o desempenho no trabalho principal, responsável pela maior parte da renda familiar. Por isso, o descanso também faz parte dessa conquista!

Passe a investir suas economias

No Brasil, muitas pessoas ainda guardam seu dinheiro na poupança. Esse tipo de conta é uma ótima forma para manter uma quantia à parte e não ficar tentado a gastá-la, ou para ter uma reserva em caso de alguma emergência, mas está longe de ser um bom investimento.

Utilize a poupança para acumular recursos, mas não para investir. A poupança tem boa liquidez, o que significa que você pode depositar ou sacar o seu dinheiro quando bem entender. Se você decidir agora fazer uma retirada da sua poupança, pode fazê-lo até mesmo pelo seu internet banking. Essa é uma facilidade que alguns outros investimentos não têm.

No entanto, os rendimentos da caderneta são baixos e cobrem somente a inflação. Ou seja, seu dinheiro não se desvaloriza, mas também não rende a ponto de realmente aumentar as suas economias. Para isso, existem outras modalidades de investimentos com rendimentos muito mais interessantes.

A partir de R$ 1.000, você já pode começar um plano de investimento em renda fixa, aplicando em CDBs (Certificado de Depósito Bancário), LCIs (Letras de Crédito Imobiliário), LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio) etc. Já no Tesouro Direto, é possível investir com a quantia mínima de R$ 30.

Geralmente, essas modalidades pagam rendimentos melhores que a poupança, são seguras, têm uma liquidez satisfatória e devem ajudar você a acumular um montante mais rapidamente para dar de entrada ou mesmo para comprar sua casa ou apartamento à vista.

Procure por imóveis já disponíveis no mercado há mais tempo

Dados apontam que os imóveis disponíveis à venda há mais de 4 anos podem sofrer redução de até 18% em seus preços. Essa desvalorização se justifica no comportamento da própria economia brasileira ao longo dos anos, mas também por outros fatores, como a flexibilidade, cada vez maior, de vendedores na hora de definir seus preços diante da imprevisibilidade de venda.

Por esse motivo, imóveis remanescentes que estão disponíveis há mais de um ano são boas alternativas, pois as construtoras já estão mais dispostas a negociar um desconto maior para vendê-los e gerar caixa (receitas). Assim, descubra os motivos pelos quais o imóvel demorou tanto para ser vendido.

Para isso, algumas vezes, essa avaliação pode ser feita facilmente, por exemplo, quando você, a caminho de seu trabalho, percebe que uma placa com o escrito “vende-se” está anexada na janela de um apartamento ou no portão de uma casa há bastante tempo. Basta anotar o número e ligar para o proprietário.

Outra forma pode ser por meio do contato direto com funcionários de imobiliárias, que, geralmente, não estão impedidos de esclarecer sobre o tempo de disponibilidade dos imóveis. Por isso, fique de olho nesse detalhe, que também pode fazer a diferença!

Cadastre-se em programas sociais

Como dito, o governo federal já viabilizou a abertura de linhas de crédito imobiliário para muitas famílias. Por isso, a participação no programa social Minha Casa Minha Vida e a inclusão do cadastro CadÚnico são opções interessantes que podem ajudar você a alcançar esse sonho. Entenda melhor, na sequência!

Minha Casa Minha Vida

O Minha Casa Minha Vida é o programa mais conhecido no Brasil para dar moradia a pessoas de baixa renda. Atualmente, existem três categorias que estão autorizadas a receber subsídios — a faixa 3 não recebe esse benefício. Elas são niveladas pela situação econômica:

  • faixa 1: renda familiar de até R$ 1.800;

  • faixa 1,5: renda familiar de R$ 1.801 até R$ 2.600;

  • faixa 2: renda familiar de R$ 2.601,00 até R$ 4.000.

Quem está no primeiro grupo recebe subsídios maiores do governo federal e pode ter até 90% do valor da casa própria pago pelo Estado. Nessa modalidade, as prestações podem ser bem mais baixas, entre R$ 80,00 e R$ 270,00 ao mês.

Nas faixas 1,5 e 2 do programa, com prestações mais altas, os imóveis podem chegar a R$ 240 mil (o valor máximo depende da região onde ele está localizado). Para serem comprados com o subsídio do governo, os imóveis devem estar na planta ou serem novos, com no máximo 180 dias de Habite-se.

Os interessados em participar do Minha Casa Minha Vida devem procurar agências da Caixa Econômica Federal ou do Banco do Brasil. Lá, os funcionários poderão orientar sobre todo o processo e a documentação necessária.

CadÚnico

O governo federal, em parceria com a Caixa Econômica Federal, disponibiliza o chamado CadÚnico(Cadastro Único para Programas Sociais), que visa facilitar o acesso de famílias de baixa renda ao crédito de financiamento da casa própria.

O Minha Casa Minha vida é um dos programas que utilizam os dados do cadastro. E os estados brasileiros também usam esse registro para oferecer seus programas sociais.

Os requisitos para poder fazer parte do CadÚnico são:

  • nunca ter sido beneficiado por algum programa de habitação do governo;

  • ter renda mensal familiar que não ultrapasse três salários mínimos;

  • não ter nenhum imóvel no próprio nome.

A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil estão autorizados a realizar o cadastro dos candidatos ao programa. Mas, devido à grande procura, talvez você tenha que aguardar um bom tempo, já que os beneficiados são sorteados, para tornar o processo mais democrático.

Cadastre-se nesses programas e, enquanto não é sorteado, aproveite o tempo para quitar as dívidas e juntar um dinheiro.

Encontre o imóvel que deseja

Com os três passos anteriores concluídos, é hora de buscar a casa ou apartamento dos sonhos. Comece procurando em sites de construtoras e classificados online. Assim, você economiza tempo e dinheiro e reduz os riscos de uma pesquisa de campo.

A dica aqui é ir filtrando suas pesquisas para facilitar a decisão final. Considere a localização (cidade e bairro), o tamanho (número de quartos, banheiros e vagas de garagem), preço e características especiais, como elevador, varanda, quintal, rampas para cadeirantes etc.

Vá a eventos

Grande parte das construtoras faz eventos de lançamento de seus novos empreendimentos. Nessas ocasiões, costumam surgir excelentes descontos para os compradores, pois, muitas vezes, eles serão os primeiros clientes daquele edifício ou condomínio.

É comum que as obras ainda nem tenham começado, o que torna a espera para que a casa própria fique pronta bastante longa. Mas segurar a ansiedade compensa, já que você tem a possibilidade de realizar seu sonho por muito menos do que havia planejado.

Fique atento também ao Feirão Caixa da Casa Própria, que acontece uma vez por ano. Nesse evento, reúnem-se milhares de construtoras com uma enorme quantidade de imóveis à disposição para a compra. Muitos deles se encaixam nas faixas 1, 1,5 e 2 do Minha Casa Minha Vida.

No Feirão, também é bastante comum que as construtoras ofereçam grandes descontos em vários de seus empreendimentos. Além disso, você contará com a ajuda de técnicos da Caixa, que poderão fazer simulações do seu possível financiamento.

Financie o seu imóvel

Por falar em financiamento, essa costuma ser a opção mais usada de moradia para pessoas de baixa renda. Você pode usar uma linha de crédito específica para a compra da casa própria. Essas linhas normalmente têm taxas de juros menores do que outros empréstimos, o que as torna vantajosas.

Bancos que têm participação direta do governo federal, como a Caixa Econômica e o Banco do Brasil, costumam oferecer as melhores condições de financiamento de imóveis. Isso porque eles aderem a diversos programas de habitação nacional e facilitam a aquisição, principalmente para as famílias de baixa renda.

Por isso, são cobradas taxas de juros mais baixas e os prazos são estendidos por mais tempo. Isso aumenta o número de parcelas em que você poderá dividir o valor total do imóvel. Assim, o valor das prestações mensais passa a caber no orçamento da família.

Além disso, existem boas oportunidades de financiamento direto com as construtoras. Por exemplo: quando o imóvel ainda está na planta, ou em fase de construção, os preços podem ser bons e a negociação mais favorável para o comprador. Considere essas opções e encontre a melhor alternativa de pagamento do seu imóvel.

Faça um consórcio

Se você está em busca de alternativas de pagamento, não deixe de olhar para o consórcio. Depois da compra à vista, em dinheiro, essa é a modalidade mais econômica e atrativa que existe.

Se você tem dúvidas de como funciona um consórcio, a hora de esclarecer é esta. Basicamente, trata-se de uma união de pessoas (físicas ou jurídicas) que se juntam para fazer uma poupança coletiva para a compra de um determinado tipo de bem.

A cada mês, todos os participantes pagam uma quantia preestabelecida. Também a cada mês, uma das pessoas do grupo é sorteada para ser agraciada com o bem em questão — nesse caso, um apartamento novo.

A maior diferença do consórcio para o financiamento pelo banco é que você precisa aguardar a contemplação para adquirir o imóvel, mas você aumenta suas chances de ser sorteado se der lances. Assim, pode ser contemplado antes do fim do plano.

Entretanto, esperar tem suas vantagens. No financiamento, você paga quase duas vezes o valor do imóvel. Já no consórcio, ele sairá praticamente pelo valor de mercado, à vista.

Use o seu FGTS

Outra medida do governo federal que deve ajudar a realizar o sonho da casa própria é a liberação do uso de parte do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para o financiamento de casas e apartamentos, sem que você precise ser despedido do emprego atual.

O fundo foi pensado pelo governo para ser uma espécie de poupança para o trabalhador, caso alguma eventualidade aconteça em sua vida. Entre as hipóteses previstas para sua liberação estão perda do emprego, acidente que impossibilite o trabalho ou alguma doença incapacitante.

Mas o FGTS também pode ser usado para a compra da casa própria. Nesse caso, o trabalhador pode usar uma parte do valor do seu fundo para amortizar até 80% do valor do imóvel.

Como cada caso é singular, para saber os detalhes de como usar o seu fundo de garantia, entre em contato com a Caixa Econômica Federal. Essa é a melhor forma de conhecer as normas e os regulamentos. Se tudo for feito da maneira correta e ciente das implicações, você não se arrependerá mais tarde.

O déficit habitacional é um dos grandes problemas de todas as esferas do governo, e é de grande interesse resolvê-lo. É por isso que boa parte da população pode contar com o benefício de casas do governo para pessoas de baixa renda. Com paciência e cautela, você também conseguirá a sua!

No entanto, combinado a esse apoio governamental, você também pode contar com medidas mais simples no dia a dia que possam ajudar na poupança do seu dinheiro, como a redução de despesas domésticas e a obtenção de uma renda extra. Isso para que a compra da casa própria aconteça em menor tempo.

O que você achou de nossas dicas sobre como adquirir um imóvel baixa renda? Quer saber mais sobre os programas sociais e outras formas de financiamento sem pesar no bolso? Então, entre em contato conosco!