Conseguir conquistar a casa própria é um dos principais sonhos de grande parte dos brasileiros. Isso faz muito sentido se pensarmos que o aluguel costuma ser a maior despesa de uma família, abocanhando até metade do orçamento familiar. Por isso, o planejamento financeiro para comprar imóvel é um passo decisivo.

As prestações da casa própria podem ser altas. Porém, nesse caso, trata-se de um investimento, e não de um gasto: o dinheiro é empregado em um bem que é seu e que você pode, futuramente, vender ou até alugar. 

Neste artigo, preparamos um material que vai ajudar você a conquistar essa vitória pessoal. Aqui, mostramos por que o planejamento financeiro é importante e como começar a fazê-lo. Devore o conteúdo e prepare-se para ter a sua casa própria!

A importância de comprar um imóvel

Há uma corrente de analistas financeiros que defendem que não vale a pena comprar um imóvel. Segundo eles, seria mais vantajoso aplicar o dinheiro em investimentos e, com os rendimentos, continuar pagando aluguel. 

Essa linha de pensamento faz sentido, mas não funciona para todas as pessoas. Somente quem já tem todo o dinheiro suficiente para comprar um imóvel à vista se beneficia desse tipo de raciocínio. No caso de quem pensa em financiar, continua valendo a pena investir na casa própria.

No entanto, trata-se de um passo importante. Por isso, quem está na dúvida deve refletir bastante sobre seu estilo de vida — não só o que leva agora, mas como se imagina daqui a 10 ou 15 anos.

Você deseja se casar e ter filhos? Fazer uma pós-graduação? Pretende mudar de emprego nesse intervalo? Todas essas questões têm um peso grande na hora da escolha de um imóvel.

Em muitos casos, o imóvel próprio é encarado como as raízes de uma pessoa. Afinal, depois de tanto planejamento e esforço para comprá-lo, nada mais justo que desejar morar naquele lar por vários anos. É por isso mesmo que essa decisão precisa ser tomada de forma muito consciente.

Dicas antes de iniciar o planejamento financeiro

Um planejamento é como um mapa que vai levar você até um destino. Então, logicamente, o primeiro passo antes de começar a planejar é definir a sua meta. Para que você está se planejando?

Responder a essa pergunta torna o plano mais palpável, e isso já é um fator a mais para o sucesso. Quando você tem um objetivo concreto, fica mais propenso a cumprir o planejado, porque sabe exatamente aonde ele vai levar você.

Veja alguns pontos que você deve definir antes de começar o planejamento.

Estabeleça o tipo de imóvel que deseja

O perfil do imóvel terá uma interferência grande em seu valor final. Casas costumam ser mais caras do que apartamentos. Condomínios fechados também têm custos mais altos. E imóveis na planta (ou seja, ainda em fase de construção) são consideravelmente mais baratos do que imóveis prontos para morar.

Defina o tipo de imóvel que você deseja comprar (pense também nas suas necessidades futuras) considerando as regiões da cidade onde gostaria de morar. Depois, faça uma pesquisa de preços para ter uma ideia.

Identifique o seu saldo do FGTS

O FGTS é uma espécie de poupança obrigatória criada pelo governo federal para que o trabalhador tenha algum dinheiro no caso de uma eventualidade. Mas você também pode usar seu fundo de garantia para a compra de um imóvel. Para isso, precisa cumprir alguns requisitos: 

  • ter trabalhado de carteira assinada por pelo menos 3 anos (contínuos ou não);
  • não ter outro financiamento ativo pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH);
  • não ser proprietário de outro imóvel no mesmo município onde pretende comprar;
  • trabalhar ou morar no município onde pretende comprar o imóvel.

Você também precisará apresentar alguns documentos. Veja quais são necessários:

  • carteira de trabalho;
  • comprovante de residência (que pode ser uma conta de água, luz ou telefone);
  • certidão de nascimento ou de casamento, se você for casado;
  • documentos de identidade (RG e CPF);
  • certidão de matrícula do imóvel que deseja comprar.

No site da Caixa você pode consultar o seu saldo do FGTS para saber quanto tem disponível. Tudo que você precisa é do seu número de PIS/PASEP e uma senha cadastrada. Você também pode ir pessoalmente a qualquer agência da Caixa com um documento de identidade e o seu NIS (Número de Identificação Social).

Estude possibilidades de financiamento

O financiamento imobiliário é a opção da maioria dos brasileiros que desejam comprar um imóvel. A maioria dos bancos tem linhas de financiamento para a compra de imóveis. Porém, os bancos que têm participação direta do governo, como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, são os que costumam ter as melhores condições de financiamento.

Nos empréstimos imobiliários, os juros são ainda mais baixos e os prazos, maiores. Com o valor total dividido em mais prestações, o valor de cada parcela fica bem mais baixo do que em um financiamento de um banco privado.

Também não deixe de considerar os consórcios. Eles são bem parecidos com os financiamentos, mas com a particularidade de você não saber quando vai receber o apartamento. Tudo depende de quando seu nome será sorteado para ser contemplado.

Avalie os programas sociais

O Minha Casa Minha Vida é o programa mais conhecido do Brasil para que pessoas de baixa renda possam ter a casa própria. O programa, hoje, tem três categorias:

  • renda familiar de até R$ 1.600;
  • renda familiar de R$ 1.601 até R$ 3.275;
  • renda familiar de R$ 3.276 até R$ 5.000.

Para cada uma delas, há um percentual de subsídio do governo para a compra do imóvel. Ou seja, o governo federal paga à construtora uma parte do valor total do imóvel. Dessa forma, a parte que você precisa pagar é muito menor.

Apesar de ser o mais conhecido, o Minha Casa Minha Vida não é o único programa habitacional existente no país. Estados e municípios também têm suas próprias iniciativas para diminuir o deficit habitacional. Portanto, vale a pena pesquisar as opções que existem na sua cidade.

Planejamento para a compra do imóvel

Agora está na hora de arregaçar as mangas e partir para o planejamento. Muitas pessoas ainda acham que planejamento financeiro é “coisa de gente rica”. Mas o raciocínio é exatamente o contrário: quanto mais apertado for o seu orçamento, mais vantagem você tira de um planejamento.

Outras pessoas acreditam que é complicado demais fazer essas contas. Outro mito. O planejamento financeiro é, simplesmente, saber quanto você ganha, quanto gasta e quanto pode economizar para realizar um sonho maior.

Você pode usar uma planilha mais elaborada ou só anotar em um caderno o seu fluxo de dinheiro. O importante é ter essa informação escrita em algum lugar, para facilitar as contas.

Veja 4 motivos para fazer um planejamento financeiro:

Saber para onde vai o dinheiro

Você já teve aquela sensação de olhar o extrato bancário e quase cair de susto ao ver a quantia (sempre menor do que você esperava) que está lá? Isso acontece com muita gente e com muita frequência. Uma boa maneira de evitar esses sustos é ter o controle do seu dinheiro fazendo o planejamento. 

Descobrir quanto pode economizar

Uma vez que você descobriu para onde vai cada centavo do seu salário, pode analisar quanto sobra dele todos os meses — ou quanto pode sobrar se você economizar aqui e ali.

Evitar contrair dívidas

Esse é quase um desdobramento do motivo anterior. Se você sabe de quanto dinheiro vai precisar, não terá que pedir emprestado nem pagar juros altíssimos a bancos e financeiras para honrar seus compromissos.

Alcançar objetivos mais rapidamente

Um planejamento financeiro funciona como uma bússola para você alcançar seus objetivos. Sabendo exatamente aonde quer chegar, você cria mais engajamento com a sua própria causa e atinge mais facilmente as suas metas intermediárias, até o sucesso final.

Como elaborar um planejamento financeiro para comprar imóvel

Existem diversas formas de fazer um planejamento e há uma série de ferramentas que podem ajudar você nessa missão, como apps para cálculos de despesas, planilhas e outros meios de registrar o fluxo do dinheiro. Encontre um sistema simples que funcione para você e siga os próximos passos.

Anote todas as despesas

Aquele refrigerante comprado na padaria, somado ao misto-quente do lanche e à bala comprada no semáforo, no fim do mês, podem representar R$ 200 que você nem viu que gastou. Por isso, é importante anotar tudo!

Para não ser vencido pela preguiça, escolha um dia para fazer esse registro. Nos outros dias, guarde todos os cupons fiscais e escreva em um papel qualquer essas pequenas despesas que vêm sem registro. Só lembre-se de guardar esses papéis para poder anotar.

Pague suas dívidas

Os juros das dívidas são como enormes ralos de dinheiro por onde escorre todo o seu salário. Assim, um planejamento eficiente começa com dívidas regularizadas. Para isso, tente renegociar e quitar as quantias o mais rapidamente possível. Comece pelo cartão de crédito, que tem os juros mais altos. Depois, passe para o cheque especial e siga até ter pago todas as dívidas.

Guarde o cartão de crédito

Agora que você já pagou todas as suas dívidas, não vai querer contrair novas. Então, é hora de dar um descanso para o cartão de crédito. Ele usa um dinheiro que você ainda não tem e, pior, tem taxas altíssimas de juros. Isso é uma ameaça para o sucesso de qualquer planejamento financeiro. Guarde seu cartão a sete chaves e deixe-o reservado apenas para alguma emergência muito grave.

Corte gastos

Com tudo mapeado, fica fácil enxergar onde você pode reduzir nas despesas domésticas. Veja, por exemplo, se você pode trocar o plano do celular por um mais barato, se dá para economizar nos transportes ou cortar nos gastos de luz.

Dê especial atenção para o lazer: ao mesmo tempo em que você precisa economizar, também precisa de momentos de relaxamento e descontração. Isso é questão de saúde, então, encontre um equilíbrio.

Viva de acordo com suas posses

Na nossa sociedade, a tentação para comprar é sempre muito grande. Mas, se você quer realizar um sonho maior, vai ter que se privar de algumas coisas. Assim, pode ser que você não consiga comprar um celular supermoderno, ou que não use roupas de marca. E tudo bem.

Gastar de acordo com o que ganha e realizar seu sonho é mais importante do que sustentar uma aparência que não está de acordo com o que você pode bancar.

Estipule uma quantia para guardar

Muitas pessoas pensam em guardar o que sobrar do salário no fim do mês. Mas o dinheiro nunca sobra, então, elas nunca conseguem guardar nada. Isso acontece porque, se o dinheiro está à vista, a tentação de gastá-lo é grande.

Para isso, a economia deve ser um compromisso, assim como uma conta de água ou luz. Depois de estabelecer quais são as suas despesas e cortar os gastos, veja quanto é possível guardar todos os meses.

Tire esse dinheiro da sua conta bancária assim que receber o seu salário. Coloque-o na poupança ou em outro investimento; o importante é que ele não fique disponível para ser gasto. Não importa quanto você vai guardar. O mais importante é que você crie a cultura de economizar

Tente criar uma renda extra

Depois de já ter enxugado ao máximo as suas despesas, você só vai conseguir guardar mais dinheiro se efetivamente ganhar mais. Então, procure atividades que possam lhe garantir uma renda extra.

Você pode, por exemplo, dar aulas de reforço para crianças do seu bairro ou fazer lanches para vender na empresa onde trabalha — entre diversas outras possibilidades.

Com o tempo, você mesmo vai começar a identificar as melhores formas de fazer o seu planejamento financeiro e vai encontrar a dinâmica que funciona para você. O mais importante é começar. Assim, você vai criar o hábito do planejamento e também o de fazer uma reserva de dinheiro para uma determinada meta.

Seguindo esses passos e mantendo-se fiel ao seu objetivo, você logo terá uma quantia boa para dar uma entrada no imóvel dos seus sonhos. Já pensou, você curtindo um almocinho especial com a família e seus amigos na sua própria casa? Pois o primeiro passo para realizar esse sonho começa agora. Arregace as mangas e faça já o seu planejamento financeiro para comprar imóvel!

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